sábado, 4 de junho de 2011

Segundo de morte.

Não que todos os momentos tenham um grande impacto em nossa vida, mas eles passam a ter um significado maior quando vemos que eles estão se esgotando. Falo de minha melhor amiga, Daniela. Ela faleceu, de câncer no cérebro, dia 25 de julho de 2009. Ela nunca foi de ter muitos amigos, ou muitas pessoas perto dela, raramente se perdoava. Não sei porque ela me deu espaço para entrar em sua vida. Mas isso não importa. Ela nunca deu muito valor a sorrisos, ou olhares. Ligações de madrugada, ela sempre ignorava. Garoto que iam a traz dela, e ela nem olhava. Mesmo determinada, e focada em seu último ano na faculdade... ela estava fazendo publicidade. Também nunca entendi porque ela queria fazer isso, mesmo falando quatro idiomas fluente, ela não era muito de sair, ou de conversar com as pessoas, e muito menos estranhos. Ela era alta, magra, tinha olhos castanhos e cabelo meio enrolado. Ela era bonita, mas deixava ofuscarem seu brilho com coisas tão insignificantes. Eu nunca procurei entender muito ela, afinal, nem ela se entendia. Daniela nunca foi de aceitar ajuda dos outros, era muito independente e isso começou a me incomodar quando diagnosticaram sua doença. Ela precisava de tratamentos, tinha em torno de mais um ano de vida. Sempre doeu muito pensar assim, que ela vai morrer, e sim, ela sabia disso... vou contar mês a mês, de sua doença que só evoluía.
Mês um.
Ela se negava, ficava agoniada mas era muito masoquista. Como se toda palavra fosse um susto para ela, mesmo sabendo disso, que ela viveria seus últimos momentos. Ela sabia que ia perder uma vida que, parecia ser tão insignificante. Dizia a ela que ela iria, uma hora ou outra ter que dar valor a isso tudo, que tão rapidamente iria perder. Mas ela se negava, e continuava a sofrer calada. Odiava vê-la gritando em silencio. Esse mes passou rápido até... e a cada dia via Daniela se fechando cada vez mais, e mais... até doer profundamente em meu coração. Me sufocava isso.

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